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A utilização do Multimedia no caso Português

Mitos e Realidades no caso da formação em gestão

Francisco Velez Roxo

fvr@easyphone.pt

Portugal

A utilização do Multimedia no caso Português

Mitos e realidades no caso da formação em gestão

O papel da formação profissional em gestão em Portugal com os impactos integração de Portugal na União Europeia, é uma questão que se levanta hoje com moda e como inevitabilidade, potenciada pelo o uso cada vez maior das tecnologias da informação e das telecomunicações quer nas escolas, quer no dia a dia das empresas.

A evolução do uso destas tecnologias da informação na formação profissional em temas de gestão não se tem processado em Portugal de forma linear, segundo esquemas de simples desenvolvimento quando comparados com outros países -como aliás ocorre em outros domínios do progresso das ciências - mas muito baseada em experiências piloto.

A não linearidade deste processo parece ser a conclusão a que se chega através da observação das mutações produzidas quer nas escolas de ensino secundário quer nas universidades, quer nas empresas, assistindo-se a comportamentos não lineares de fenómenos e acontecimentos motivados pelas características organizacionais e sócio demográficas portuguesas. Assim acontece tanto em formação de técnicos de gestão de empresas como especialistas em telecomunicações como na evolução da própria bolsa de valores.

A nível da comunicação educacional, com o aparecimento dos meios multimedia, verificou-se, no entanto, uma metamorfose das capacidades e competências e do modo de transmissão de conhecimentos. Só que, hoje ainda, se encontra em fase de experiências piloto.

A interactividade, associada ao multimedia, reestruturou já, em certa medida, o modo de interagir com o computador, com a televisão, tanto por parte dos indivíduos como na relação com os poderes públicos, e consequentemente começa a ter impactos sobre o comportamento da sociedade e de cada um de nós e , inevitavelmente nos processos de formação.

A sociedade Portuguesa não fugiu a esta regra só que com muitos mitos e Realidades.

 

MITOS

A fase correspondente aos anos 90 no desenvolvimento do acesso e da utilização de meios informáticos multimedia, por parte de organizações de indivíduos, apresentará novas características devido à futura instalação das chamadas auto-estradas da informação. Em Portugal existe mesmo uma entidade designada por Missão para a Sociedade da Informação.

O multimédia interactivo, como uma nova forma de comunicação e de interface entre o computador pessoal, o software e o utilizador, revelar-se-à à escala nacional como um novo e generalizado na utilização do sistema de ensino- aprendizagem. E, neste âmbito, todos quantos se encontram directa ou indirectamente a participar nesta revolução estão em constante aprendizagem quando se trata de multimédia em particular quando aplicado à formação profissional.

 

REALIDADES

Em 1997 a APMP - Associação para Promoção da Multimédia em Portugal realizou um estudo sobre o Multimedia em Portugal com as seguintes fases:

- Fase 1 - Diagnóstico do Mercado Nacional

Acção 1 - Entrevistas a Empresas Associadas da APMP

Acção 2 -Questionário a Produtores / Editores de Títulos Multimédia

Acção 3 - Questionário a Distribuidores de Títulos Multimedia

- Fase 2 - Análise dos Segmentos de Mercado

Acção 4 - Questionário aplicado ao Segmento Doméstico

Acção 5 - Entrevistas ao Segmento Profissional

Acção 6 - Entrevistas ao Segmento Educacional

- Fase 3 - Avaliação de Áreas Específicas

Acção 7 - Entrevistas sobre Publicidade e Multimedia

Acção 8 - Entrevistas sobre Comércio Electrónico

Acção 9 - Entrevistas sobre Publicações Electrónicas

Acção 10 - Entrevistas sobre Distribuição Multimedia

Como resultado deste trabalho surgiram as seguintes realidades

 

RESUMO DOS PRINCIPAIS INDICADORES DE PORTUGAL

1

Dimensão e Caracterização

do Mercado

Portugal é um pequeno mercado com quase 10 milhões de habitantes, agrupados em cerca de 3,040,000 lares, sobretudo concentrados em Lisboa e Porto, os distritos que possuem os maiores índices de poder de compra.

O crescimento da população tem sido muito baixo (estagnação demográfica) e nos próximos 20 anos prevê-se mesmo um pequeno decréscimo. O grupo etário predominante é o dos 25 aos 34 anos.

Verifica-se em todo o país uma uniformidade em termos linguísticos e religiosos.

2

Situação

Económica

Nos últimos anos têm sido feitos esforços consideráveis com vista ao crescimento económico e à aproximação dos critérios de convergência. Apesar do PIB ter crescido cerca de 50%, o rendimento disponível das famílias é ainda um dos mais baixos entre os países da UE, revelando um elevado consumo de bens de subsistência, enquanto que as despesas com o entretenimento são das mais baixas no âmbito dos países da UE.

A economia portuguesa baseia-se no mercado Europeu, verificando-se diversas parcerias.

Apesar de Portugal ter um dos mais baixos níveis de desemprego da UE, o desemprego de longa duração tem aumentado nos últimos anos, seguindo as tendências europeias.

Nos últimos anos alguns trabalhadores provenientes do sector secundário têm sido reintegrados no sector primário, provocando algum crescimento deste.

A falta de qualificação e de especialização da mão-de-obra portuguesa levanta algumas dificuldades à actividade multimédia cada vez mais complexa e exigente.

O salário médio dos trabalhadores da Indústria por hora é o mais baixo dos países da UE, apesar dos impostos e das contribuições sociais pagas pelas empresas serem similares à média da UE.

3.

Sociedade da Informação

 

3.1.

Parque Informático

A penetração de PCs nos lares é ainda muito baixa (11%), apesar de ter crescido, sobretudo devido à baixa nos preços. A principal utilização do PC em casa é o trabalho (processamento de texto) e não o entretenimento.

O parque de hardware com capacidade Multimedia (drive CD-ROM) é ainda limitado (estimado em cerca de 150.000 unidades), o mesmo acontecendo em relação aos modems (50.000), num universo estimado em cerca de 900.000 PCs distribuídos entre as empresas e as residências.

3.2.

Telecomunicações

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Portugal Telecom tem o completo monopólio das infra- -estruturas de telecomunicações, mas está em vias de o perder

Algumas empresas estão a preparar-se para a liberalização, unindo as suas forças e as redes existentes.

A população portuguesa é receptiva às inovações tecnológicas, como se comprova pelo sucesso registado no mercado de telefones móveis nos últimos dois anos e pelo elevado nível de utilização de aplicações dignas de registo a nível mundial como a rede nacional de ATMs "Multibanco".

A rede de TV Cabo teve início em 1994, e tem crescido desde então, atingindo cerca de um milhão de lares. O maior operador é a TV Cabo, que já anunciou que assim que a legislação o permitir irá desenvolver serviços de TV interactiva e acesso à Internet via cabo.

Os acessos RDIS duplicaram mas continuam a ser dispendiosos, sobretudo devido aos necessários investimentos em tecnologia por parte das empresas. A Telepac, o maior provider de Internet investiu bastante na promoção das vantagens da RDIS, mas para o mercado doméstico as placas RDIS ainda são muito dispendiosas.

Portugal não tem canais pagos nem nenhum satélite nacional.

Portugal tem tarifas telefónicas equivalentes às dos restantes países da EU, sendo que no caso das chamadas locais, as tarifas são as mais baixas

Em ternos gerais as tarifas têm vindo a aproximar-se dos custos reais dos serviços

Os serviços On-line internacionais (Compuserve,Microsoft Network, etc.) não têm expressão devido à ausência de marketing e aos preços das chamadas internacionais necessárias para lhes aceder.

Seguindo as tendências mundiais, os utilizadores de Internet têm crescido em larga escala. Os ISPs têm pontos de acesso nas principais cidades e as suas tarifas, apesar de ligeiramente mais altas que a média da UE, são relativamente acessíveis.

As empresas utilizam a Internet como uma ferramenta de marketing / promoção, pelo que os hosts no sub-domínio PT têm crescido gradualmente; as páginas pessoais são muito pouco comuns.

3.3

Audiovisual / Media

Portugal tem um dos mais altos consumos de Televisão da UE. Assim, a principal plataforma multimédia é o parque televisivo (com uma penetração de quase 100% nos lares).

Os índices de leitura são baixos, à excepção de jornais e revistas, uma vez mais devido à falta de qualificação profissional e aos baixos níveis educacionais.

4.

Enquadramento legal

Não existe uma legislação específica para o Multimédia. pelo que se aplicam várias normas legais :

Direito da Informática e Software

Legislação sobre Telecomunicações

Direito do Audiovisual

Direito da Informação

Código da Propriedade Intelectual

Direito de Autor

Acabam de sair uma Nova Lei de Bases das Telecomunicações (que dá corpo aos princípios da liberalização das telecomunicações) e um Dec-Lei que regulamenta a actividade dos operadores de TV Cabo proporcionando-lhes a possibilidade de se virem a envolver noutras áreas de actividade para além da retransmissão de programas alheios.

Fonte: APMP 1998

Relativamente à utilização doméstica de PCs, segundo a empresa de estudos de mercado Marktest, existiam em 1998 1,636,000 indivíduos (21.7% do Universo) residentes em lares com PCs. Os dados do INE e do estudo da KPMG indicam uma penetração dos PCs a nível doméstico de 11%, contra uma média de 18% na UE 15.

Um outro estudo da APEME sobre o mercado nacional de utilizadores de PCs refere as seguintes utilizações esperadas/reais para os PC em casa :

Fonte: Apeme, 1996

Os utilizadores de PC em casa possuem ainda os seguintes equipamentos :

Fonte: Apeme, 1996

Por outro lado, segundo um relatório da mesma associação, 60% do parque instalado de PCs, está localizado em empresas. Considerando as dificuldades na contagem dos utilizadores de PCs na sua actividade profissional não existem dados fidedignos sobre este aspecto, mas a utilização de PCs parece estar hoje em dia generalizada na maioria das empresas nacionais.

Relativamente aos equipamentos multmédia sabe-se que a Europa está ainda bastante atrás dos EUA em termos de drives CD-ROM instaladas em casas. De acordo com o estudo da APMP, a Inteco sugere que o parque instalado em casas da Europa Ocidental era de 17.8 milhões em 1996, contra 28.1 milhões nos EUA. No entanto, nos próximos 3 a 4 anos espera-se que a Europa se aproxime dos EUA. Esse crescimento será devido sobretudo à difusão de computadores mais baratos, já com drive de CD-ROM integrada, nos canais de retalho por toda a Europa.

 

 

Parque de Drives CD-ROM em lares (milhões)

Fonte: Inteco

 

 

No caso português estima-se a existência de cerca de 175.000 unidades com capacidades multimedia (leitor de CD-ROM, placa de video e audio).

Segundo a empresa INSAT, para o caso português, considerando as vendas de unidades de hardware multimedia vendidas para fazer upgrades às máquinas mais antigas, chegava-se a um mercado multimedia instalado que se devia ter um valor aproximado, em finais de 1996, dos 150.000 sistemas. No que respeita às vendas de modems, os dados disponíveis não são fiáveis, mas é razoável considerar uma base instalada de cerca de 50.000 unidades.

 

 

Para a APMP, dado não existirem valores definitivos nem seguros, para nenhum destes equipamentos, apenas nos é possível trabalhar com base em estimativas. Ponderando as diferentes fontes é possível chegar à seguinte estimativa para 1996 :

 

 

Número de PCs, PCs Multimedia e Modems (estimativa 1996)

Fonte: Insat, ISPs, Apeme

Fazendo um exercício de projecção, e sem considerar as diferenças em termos culturais e de preços de equipamentos / condições de aquisição, se Portugal acompanhar a tendência europeia de crescimento a nível das drives de CD-ROM (50% em 1997 e 33% em 1998, segundo a INTECO), podemos prever para 1998/1999 uma base instalada de cerca de 260.000 equipamentos

 

O CASO PORTUGUÊS DA FORMAÇÃO EM TEMAS DE GESTÂO

No quadro geral atrás descrito, a formação profissional em temas de gestão em particular, que ainda hoje são utilizados, foram desenvolvidos, para dar resposta às necessidades de desenvolvimento ditadas por um contexto empresarial estável e previsível nos anos 60, turbulento nos anos 70, após as crises do petróleo e de ajustamento nos anos 80.

O modelo anos 90 do mundo empresarial tem sido caracterizado por uma forte turbulência e incerteza, uma grande imprevisibilidade, necessidade de estruturas organizacionais flexíveis e "excesso" de informação para a tomada de decisões.

Não foi, no entanto, só o contexto do mundo dos negócios que mudou drasticamente durante a última década.

A nossa percepção do que torna mais efectivo o ensino e a aprendizagem evoluíu também e as novas tecnologias de informação, tais como as tecnologias multimedia e a realidade virtual (em desenvolvimento acelerado desde 1993), proporcionam-nos hoje novas oportunidades para desenvolvimentos no domínio da comunicação educacional.

Uma nova geração de métodos e técnicas pedagógicas está hoje em crescente evolução e já à disposição para, tanto no ensino da gestão integrada, como do ensino da gestão das áreas funcionais (marketing, finanças, operações,…) desenvolver sistemas educacionais baseados nas novas tecnologias de informação e através das quais os gestores de uma forma mais eficaz se prepararão para dar resposta às alterações do macro e microcontexto organizacional, partindo, por exemplo, de simulações em contexto educacional muito mais próximas da realidade do que as que até agora têm sido utilizadas.

Na Europa em 1993, um conjunto de investigadores do International Consortium for Executive Development Research (ICEDR) desenvolveu, no âmbito do CALT (Center for Advanced Learning Technologies) do INSEAD (The European Institute of Business Administration), o conceito de Business Navigator - the Next Generation of Management Navigation Tools, cujo princípio é o da utilização do multimedia interactivo e da realidade virtual para o ensino-aprendizagem dos temas da gestão das organizações.

Perante o consenso geral de que na gestão das organizações a "orientação cliente" obriga a um rigor e flexibilidade cada vez maiores na compreensão do meio-envolvente da organização, a formação nesta problemática precisará, neste âmbito, de responder de uma forma cada vez mais rápida às tendências globais do ensino da gestão e implicará que novos instrumentos pedagógicos sejam utilizados com a vantagem que estes permitem de uma forma rigorosa mostrar a interacção funcional nas empresas e a integração temática no seu ensino.

Vários autores têm apontado, no entanto, alguns pontos de reflexão que, cada vez mais, se constituem como pistas de debate prévio, antes de se mergulhar no erro:

Suportarão as tradicionais ferramentas pedagógicas uma optimização dos novos desafios da aprendizagem com o apoio das novas tecnologias da informação (McMahon - 1992, O’Reilly - 1993, Turner -1981)?

Saberão as organizações valorizar as vantagens do seu investimento no desenvolvimento da gestão com o apoio das novas tecnologias de informação (Conant - 1991)?

Se as escolas de ensino da gestão parecem estar a desempenhar tão bem a sua missão, porque é que as organizações, particularmente, as empresas americanas, têm tão más performances (Byrne - 1993)?

Estarão os modelos tradicionais de ensino dos temas da gestão condenados (Linder e Smith - 1992)?

Cada uma destas questões claramente conduz a estudos profundos que, no campo do marketing, têm particularidades muito especiais, na medida em que, entre conceitos e práticas vão por vezes grandes distâncias e a utilização das novas tecnologias de informação no marketing aplicado é cada vez mais uma realidade incontestável.

Duas tendências parecem decorrer deste quadro de análise em particular no caso português anos 90:

A necessidade de reanalisar a natureza dos processos de aprendizagem e das ferramentas tradicionais do ensino da gestão, mesmo as da década de 80.

O potencial para desenvolver os processos de ensino e aprendizagem no contexto do multimedia interactivo e da realidade virtual apenas está no seu princípio, mas revela um futuro muito promissor com as seguintes prioridades e produtos para as áreas e subáreas atrás definidas:

 

 

 

Assim a comunicação multimedia interactiva que é, hoje em dia, uma das ferramentas de gestão mais estratégicas e eficazes para lidar com a produtividade e a competitividade ainda não chegou no caso português à formação em gestão.

Sabe-se que a transmissão, via comunicação multimédia, de informação entre os trabalhadores das empresas é mais produtiva e mais eficiente do que através dos meios tradicionais. Combina voz, texto, dados, gráficos, animação, imagens e vídeos com movimento num fluxo simultâneo de informação coordenada, permitindo ao utilizador tomar decisões, resolver problemas e adquirir o conhecimento necessário. Mas não é ainda posta na prática de uma forma sistemática. Apenas se desenrolam experiências piloto.

 

UMA EXPERIÊNCIA PILOTO NO CASO PORTUGUÊS

Do ponto de vista da comunicação educacional os métodos e técnicas pedagógicos utilizados ou previstos serem utilizados na EMPRESA X baseiam-se fundamentalmente na utilização do Discurso mediatizado scripto eventualmente com algum apoio de materiais vídeo. O recurso ao discurso informo é deixado à livre iniciativa dos formandos, que utilizam os seus próprios equipamentos ou eventualmente os das áreas onde trabalham.

A questão pedagógica tem portanto necessidade de ser reforçada por recurso a uma rede de apoio aos formandos que, partindo do sistema organizado seja porém muito interactiva tanto entre coordenadores de temas/área vocacional com os formandos como entre os próprios formandos.

O tipo de rede que mais se adapta numa perspectiva de sistemas multimedia interactivos e partilhados foi desenvolvido no âmbito do projecto internacional DEDICATED que teve a participação do INESC (Instituto Nacional de Engenharia Sistemas e Computadores) pelo lado português.

O modelo de arquitectura multimedia distribuída para ensino assistido por computador, consubstanciada no projecto DEDICATED (DEvelopment of a new DImension in european Computer Aided TEaching), formado sob a direcção do Prof. J.L. Encarnação, director do Centro de Computação Gráfica de Darmstadt (Alemanha) e que foi financiado no âmbito do programa europeu DELTA, pareceu ser um modelo a utilizar para consolidar a estrutura de apoio aos formandos e com base em LTCs (Local Training Center) e software dedicado, denominado MTS (Modular Training System).

O projecto DEDICATED, consiste numa rede de LTCs, compostos por um conjunto de máquinas heterogéneas Unix e PCs. Estas máquinas estão interligadas entre si por uma rede de comunicação de dados (LAN). Cada uma das máquinas pode correr o mesmo programa (na versão correspondente à máquina em questão) para aceder ao servidor dos cursos e utilizar os cursos nele disponíveis. Este sistema informático foi denominado Modular Training System (MTS)".

O MTS é uma estrutura baseada no conceito de Cliente/Servidor, simétrico e independente da plataforma informática, funcionando sobre MS-Windows e UNIX, com o qual comunica um interpretador de uma linguagem descritora dos cursos a leccionar.

Assim, segundo um dos seus autores, "foi possível preservar o essencial dos objectivos iniciais que consistiam no desenvolvimento de um Sistema Autor distribuído, funcionando sobre as redes internacionais de alto ou baixo débito (RDIS) dependente da plataforma, criando deste modo uma rede europeia de ensino assistido por computador."

Uma vez que todas as máquinas de um LTC estão interligadas por uma rede local (LAN), que permite aos alunos comunicarem entre si e com os professores, para consultarem e acederem aos diversos cursos disponíveis, este modelo, já testado, serviria perfeitamente os interesses dos formandos e diminuiria o investimento em concepção, uma vez que o mesmo teve a participação portuguesa do INESC.

 

O sistema proposto pode ser utilizado pelos dois tipos de utilizadores que são os fundamentais nos objectivos dos cursos:

Ambos têm suas necessidades, preferências e exigências muito específicas em termos do processo de ensino-aprendizagem e o sistema deve permitir a sua satisfação.

Relativamente ao professor, ele deve poder especificar o conteúdo e metodologia dos cursos, através de uma linguagem script, que permite especificar conteúdos, através de uma apresentação gráfica da matéria a ensinar, assim como a interacção com o aluno.

Nos aspectos de concepção que estiveram presentes no DEDICATED, foi posta uma grande ênfase na nova utilização de materiais já desenvolvidos para outros cursos e na avaliação e acompanhamento pedagógico do aluno ao longo do curso.

A avaliação do formando é outro dos pontos onde o modelo proposto teve um cuidado particular, orientando-se para uma avaliação formativa e somativa. Com a avaliação contínua combinada destes dois métodos de avaliação, pretende-se não só chegar a uma classificação final, mas também ajudar a progressão do aluno ao longo do curso, explicando com mais pormenor partes da matéria onde o sistema detecta que o aluno tem mais dificuldade e acelerando outras onde mostre um maior domínio dos temas.

Os testes formativos ou somativos poderão ser do tipo fechado, em que as perguntas devem ser respondidas de uma forma sequencial, ou do tipo aberto, tipo teste clássico, em que o formando pode responder às perguntas pela ordem que quiser.

O formando tem também a possibilidade de interactuar com outros colegas e professores usando os mecanismos de comunicação do MTS e para tirar dúvidas ou aprofundar temas que não estejam bem explicados no curso.

A partir dos protótipos elaborados no projecto DEDICATED foi possível chegar a algumas conclusões, confirmando muitas das metas visadas nos objectivos iniciais:

A primeira, e talvez a mais importante, é a facilidade de reutilização do código em diferentes máquinas, que se verificou atingir 90%. Este resultado é ainda válido quando aplicado ao look and feel do produto, descontadas as particularidades de cada uma das plataformas.

Verificou-se também que a especificação funcional era adequada aos fins propostos. A experiência obtida durante o desenvolvimento dos protótipos, como foi o caso da avaliação, permitiu ainda complementar a especificação funcional.

Outro objectivo relevante atingido foi a obtenção da persistência de objectos em forma neutra, que permite obter esta persistência independentemente da plataforma utilizada e ainda possibilita a distribuição dos cursos sem qualquer necessidade de conversão.